“rio-rouge”, 2014-2017 [Série Palette]

Abordagem artística

O trabalho de Jaildo Marinho toma seu lugar na grande tradição artística brasileira do neoconcretismo. Herdeiro de Mondrian e da arte concreta dos anos 30, este movimento foi ilustrado a partir dos anos 50 nas obras de Helio Oiticica, Amilcar de Castro e muitos outros…

Interessados na noção fundamental de vazio, os trabalhos abstratos de Jaildo Marinho exploram constantemente seu potencial construtivo e vital. À primeira vista, isto parece paradoxal para um artista cujo material preferido é o mármore, tradicionalmente associado com a idéia de massa e peso.

Mas este é precisamente o desafio que Jaildo Marinho se propôs através de criações que oscilam entre a segunda e a terceira dimensões. Estes têm em comum o uso de formas geométricas simples, de uma brancura pura, às quais o artista ocasionalmente acrescenta cores brilhantes.

O trabalho de Jaildo Marinho está dividido em diferentes séries que ele criou ao longo dos anos com uma inventividade constantemente renovada.

Primeiro vieram as “Linhas Diagonais” e as “Linhas Oblíquas” (datas exatas), que são pinturas retangulares com uma área central oca ativada pela presença de cordas.

Estes foram seguidos pelos “Saucers”, formas circulares geralmente feitas de mármore, com uma superfície ligeiramente arredondada e estriada. Eles são montados ao longo de eixos horizontais, verticais ou oblíquos, assim como os módulos da série “Carrés” (inaugurados na data), muitas vezes reduzidos a sua estrutura mais simples com seu centro desmaterializado (sua disposição às vezes deu origem a grandes painéis monumentais). Os “lançadeiras”, inaugurados em data, com suas superfícies convexas dinamizadas por furos circulares e coloridos, tomam todas as suas dimensões quando suspensos no espaço.

Como parte do legado da abstração geométrica européia e do neoconcretismo brasileiro, pinturas ou esculturas, às vezes a meio caminho entre os dois, as obras de Jaildo Marinho desenham suas origens formais a partir das paisagens, artes e tradições populares de seu Brasil natal. Este diálogo subjacente do artista com suas raízes, que testemunha uma abordagem principalmente intuitiva e autodidata da criação, tornou-se mais explícito através das instalações “Cristalizaçao” e “Origen”, apresentadas respectivamente no Brasil em 2017 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e em 2018 na galeria Multiarte em Fortaleza.

“rio-jaune”, 2014-2017 [Série Palette]
Jaildo Marinho